Reflexões sobre o tempo, o ócio e as escolhas no século XXI. Eu, Marco Antonio, CEO do Projeto CEQUAL Alagoas, Marketing GSC e Projeto Educatec, há mais de três anos sigo uma rotina intensa: acordo por volta das 04h40 e retorno para casa apenas às 19h00. Nesse percurso diário, utilizando o metrô de São Paulo — passando pelas estações Sé, República, Mackenzie, Marechal Deodoro e São Joaquim — observo, silenciosamente, o comportamento das pessoas ao meu redor.
Pela madrugada, o cenário é marcado por homens e mulheres trabalhadores. Rostos cansados, expressões de preocupação, olhares distantes. No entanto, há um detalhe que se repete de forma quase unânime: nos poucos momentos de pausa, muitos estão com seus celulares nas mãos. E, inevitavelmente, o que vejo são redes sociais e plataformas de entretenimento como a Netflix ocupando esse espaço íntimo.
No período da tarde, ao retornar para casa, o cenário muda, mas o comportamento se mantém. Agora, os vagões estão repletos de universitários. Jovens que, teoricamente, estão construindo seu futuro. Ainda assim, a cena se repete: celulares nas mãos, rolagens infinitas, consumo passivo de conteúdo. E então surge uma inquietação constante:
Quantos desses estudantes, de fato, serão bem-sucedidos na profissão que escolheram?
Quantos concluirão sua graduação apenas para ocupar cargos que nada têm a ver com aquilo que estudaram?
É nesse ponto que entra uma reflexão mais profunda sobre o chamado ócio criativo. Diferente da simples preguiça ou do desperdício de tempo, o ócio criativo é um espaço de pausa consciente, onde surgem ideias, inovação e desenvolvimento pessoal. No entanto, o que observo não é esse tipo de ócio — mas sim um consumo automático, quase inconsciente, que pouco contribui para o crescimento individual.
A linha entre descanso e estagnação é tênue. A preguiça, muitas vezes disfarçada de descanso, aliada à falta de oportunidades e, em alguns casos, ao analfabetismo funcional, cria um ciclo difícil de romper. Não se trata apenas de ter acesso à educação, mas de saber utilizá-la de forma estratégica e transformadora.
Acredito que o sucesso — seja ele profissional ou pessoal — está diretamente ligado ao esforço humano, à disciplina e, principalmente, à forma como utilizamos o nosso tempo. Quem trabalha pela manhã, estuda à tarde ou à noite, mas dedica grande parte do seu tempo livre a distrações vazias, corre o risco de não alcançar o potencial que poderia.
Não se trata de condenar o entretenimento, mas de questionar o equilíbrio.
O tempo que temos é limitado — e o que fazemos com ele define, em grande parte, quem nos tornamos.
No fim, a grande questão não é apenas ter oportunidades, mas reconhecer o valor delas e agir com consciência. Entre o cansaço e o sonho, entre a rotina e a ambição, existe uma escolha silenciosa sendo feita todos os dias — muitas vezes, na tela de um celular.